
A pouco menos de cinco meses da eleição de 2026, o cenário eleitoral está se definindo no Ceará / Crédito: Júnior Linhares / Ascom PT; Samuel Setubal/O POVO
A última quinzena de maio trouxe a oficialização de um panorama político que já estava pré-definido para as eleições no Ceará. O governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), oficializaram as pré-candidaturas nos últimos dias. Apesar das definições, outras vagas majoritárias como a posição de vice e as cadeiras no Senado ainda estão em aberto.
Na tarde do sábado, 23, o diretório estadual do PT oficializou o governador Elmano de Freitas como pré-candidato à reeleição, em reunião na sede do Partido dos Trabalhadores (PT), que contou com a presença do ex-governador e ex-ministro da Educação, Camilo Santana, do ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), do presidente do PT-CE, Antonio Alves Filho (Conin), entre outros.
Na ocasião, o governador disse que irá entrar em uma “batalha política e eleitoral” e aproveitou para alfinetar o ex-governador Ciro Gomes. “O PSDB quer voltar, não vai, não […] Que moral o PSDB tem para falar de nós?”, indagou.
No sábado anterior ao que oficializou Elmano, dia 16 de maio, Ciro Gomes confirmou a pré-candidatura ao Palácio da Abolição, após meses de especulação sobre uma possível 5ª candidatura à Presidência da República. Ele havia sido convidado para a disputa nacional pelo presidente nacional do PSDB, Aécio Neves.
De volta ao partido ao qual era filiado quando se elegeu governador do Estado, na década de 1990, Ciro disse que “lealdade e gratidão” guiam a nova postulação ao governo do Ceará e chamou de “frouxos” os que governaram o Estado nos últimos anos. “Sabe quantos delegados de polícia foram contratados nos últimos dez anos por esses frouxos que governam o Ceará? Nenhum”.
Outros nomes
Além de Ciro e Elmano, o Ceará tem outros pré-candidatos ao Executivo cearense: o senador Eduardo Girão (Novo), o professor Jarir Pereira (Psol), o ex-vice-prefeito de Juazeiro do Norte Giovanni Sampaio (PRD), o operário Zé Batista (PSTU) e Delegado Huggo, nome do partido Missão, que foi lançado ao Senado e posteriormente anunciou que disputaria o governo.
Apesar das tentativas de formar uma candidatura única da oposição para o Governo do Ceará, Girão rejeita a tese de aliança no primeiro turno com Ciro e se autoclassifica como único representante da direita, relembrando que o candidato tucano já foi aliado do PT.
Também no dia 16 de maio, Girão fez o quarto evento de lançamento de sua pré-candidatura a governador, em Quixadá. Colocando-se como o candidato natural do campo conservador, Girão considerou que o Estado precisa de um recomeço. “Porque nós vamos fazer sabe o quê? Um governo de emergência. O Ceará precisa de um choque de gestão, de emergência”.
Quem são os pré-candidatos a governador até agora:
Ciro Gomes (PSDB), ex-governador, quatro vezes candidato a presidente da República, ex-ministro de dois governos, ex-prefeito de Fortaleza, ex-deputado federal e ex-deputado estadual
Delegado Huggo (Missão), delegado de Polícia Civil do Ceará é ex-assessor e técnico Judiciário do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE) e policial militar da reserva
Eduardo Girão (Novo), atual senador. Empresário, foi candidato a prefeito de Fortaleza
Elmano de Freitas (PT), atual governador, ex-deputado estadual e ex-secretário da Educação de Fortaleza. Foi candidato a prefeito de Fortaleza e de Caucaia
Giovanni Sampaio (PRD), duas vezes vice-prefeito de Juazeiro do Norte, ex-diretor do Hospital Regional do Cariri (HRC)
Jarir Pereira (Psol), professor da rede pública estadual, diretor do sindicato de professores Apeoc e dirigente do Psol
Zé Batista (PSTU), operário de construção civil. Foi candidato a governador em 2022, a prefeito de Fortaleza em 2024 e a vereador da Capital em 2020.
Apesar das confirmações dos pré-candidatos ao Palácio da Abolição, o panorama da disputa eleitoral ainda não está completamente definido.
As lideranças da base governista e da oposição ainda vão oficializar os nomes e partidos que irão compor a chapa majoritária de cada um dos grupos na disputa.
A articulação para a vice-governadoria
Na oposição, o recém-oficializado pré-candidato Ciro Gomes disse, durante o evento, que convidará o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (União Brasil) para ser vice-governador em sua chapa. O tucano já havia manifestado publicamente, mais de uma vez, o desejo de ter Roberto Cláudio como companheiro de chapa.
O ex-prefeito, por sua vez, evita tratar a definição como fechada, mas admite interesse em integrar a chapa majoritária.
Na base do Governo, o cenário está mais aberto. Atualmente, a vaga é ocupada por Jade Romero (PT), que indicou o desejo de seguir no cargo, mas lançou pré-candidatura à Assembleia estadual. Apesar da saída de Jade, Camilo Santana afirmou que defende o nome de uma mulher para o posto.
No PSD de Domingos Filho, nomes como os da vice-prefeita de Fortaleza, Gabriela Aguiar, e da recém-filiada deputada federal Fernanda Pessoa têm sido ventilados como possíveis quadros para ocupar esse espaço na chapa. Além das representantes, houve especulações de que o senador Cid Gomes (PSB) estaria sendo cotado para a vaga.
No final de abril, o presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Romeu Aldigueri (PSB), disse ter certeza de que Cid Gomes será candidato na chapa majoritária da base governista em outubro, seja concorrendo à reeleição para o Senado ou até na posição de vice-governador, compondo com o governador Elmano de Freitas (PT).
O impasse do Senado
Oposição
Na oposição, o nome defendido internamente para disputar o Senado é Capitão Wagner (União), que aparece bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto. “O nosso nome é o que melhor se posiciona. Tem o Roberto Cláudio, que está super bem também nas pesquisas, mas o nosso está um pouco melhor”, acrescentou.
A outra vaga ao Senado na chapa de oposição tende a ficar com o Partido Liberal (PL), seja com o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) ou a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL), que chegou a ser cotada como vice de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa nacional. A preferência majoritária do PL cearense é por Alcides.
Alcides é pai do deputado federal André Fernandes (PL), presidente estadual do partido, e tem o apoio de Bolsonaro para concorrer ao cargo. Já Priscila recebeu forte apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
Para adicionar à disputa, o ex-reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC) Cândido Albuquerque (PSDB) lançou a pré-candidatura ao Senado com a presença de Ciro Gomes.
Base
Do outro lado, a base governista lida com uma grande quantidade de pré-candidatos ao Senado. O principal nome cotado até agora é o do senador Cid Gomes, que terá a vaga assegurada se aceitar concorrer, conforme Elmano e o ex-ministro da Educação, Camilo Santana (PT).
Porém, Cid afirma que não disputará reeleição e tem defendido a candidatura do deputado federal Júnior Mano (PSB). Já o MDB mantém como prioridade a candidatura do ex-presidente do Senado Eunício Oliveira.
Outras siglas também buscam espaço, como PSD, com o presidente do partido no Ceará e secretário estadual do Desenvolvimento Econômico, Domingos Filho, e Republicanos, com o presidente estadual do partido, Chiquinho Feitosa, que apresentam alternativas próprias.
O ex-secretário da Casa Civil, Chagas Vieira, também aparece como possível aposta do grupo ligado a Camilo Santana. Ainda no início de 2025, Camilo afirmou que Chagas é “um grande nome” para disputar a vaga.



